“O sistema como forma de inteligibilidade: notas sobre a experiência histórica

Keywords: hegel, historicidad, subjetividad, experiencia

Abstract

Pensar a política em Hegel, de modo a atender a uma dupla demanda, tanto o seu presente quanto sua atualização, ou seja, o pensamento de nosso presente histórico. O sucesso de tal empreitada demanda um duplo esforço: por um lado, se trata de tarefa concernente à história da filosofia, uma vez que se buscam as condições de emergência do discurso hegeliano; por outro, em seu turno, e aqui jaz a tônica de nossa proposta, indagar-se sobre a possibilidade de um Hegel hoje pode acarretar em uma não identidade do filósofo consigo mesmo. Ao privilegiar um funcionamento estrutural, quer dizer, de vazio lógico bloqueador de dever-ser (e, em linguajar contemporâneo, avesso a suturas lógicas), seria pertinente endereçar-lhe novas perguntas, ao que resultariam novos campos problemáticos. Todavia, poder-se-ia esperar não um completo desmonte da visada hegeliana do pensamento negativo, mas, antes, o revigoramento de sua capacidade a compreender o efetivo, ou seja, aquilo que se torna. Assim, a eternidade da ideia se repete em cada nova experiência, intensificando e cambiando o ponto de partida. Um tal “sistema da contingência” teria telos relativos, ou fins finitos, mediados pelo absoluto do vir a ser. Se a noção de sistema, tal como destacada na Enciclopédia, não desempenharia o papel de guia para os desenvolvimentos ora elaborados, a invariante presente e garantidora de sistematicidade residiria no caráter relacional e promovedor de mudanças, imanente à dialética. Nesse sentido, ter a história enquanto horizonte de pensamento implica em assumir que o ato de se pensar se dá no tempo; pensar é pensar o que se passou concomitantemente com a passagem do tempo. Assumir o caráter cognoscível do tempo tem como consequência eleger a necessidade da contingência enquanto princípio para todo e qualquer esforço de doação de forma. A história, unidade com abertura para o aparecer e desaparecer, só pode assim ser constituída por uma dialética entre continuidade e ruptura. A necessidade do passar do tempo e a coerção do estar juntos intersubjetivo é geradora da experiência de pensamento, outro nome da liberdade. A conjugação de ritmos díspares constrói contornos e se desfaz: à determinação progressiva se junta a fundação regressiva, desde outro lugar. Recolhe-se daí igualmente que a não identificação de normas e expectativas oriunda do embate agonístico é o elemento responsável pelo assim chamado curso da história, criada por seu oposto – a saber, o não (ainda) histórico. Em termos de trabalho intestino aos escritos hegelianos, trabalharemos o conceito de “experiência”, lido na Fenomenologia do espírito.

Más información

Año de Inicio/Término: 08/11/2022
Idioma: español
URL: https://estudioshegelianos.cl/congreso-hegel-y-lo-politico/